Principais Códigos e Tributos na Apuração Fiscal das Empresas
Fabio
Última atualização há 10 meses
Para manter a conformidade fiscal e evitar multas, é fundamental entender os códigos e tributos que compõem as obrigações fiscais no Brasil.
No UNICUS ERP, esses elementos estão presentes no cadastro de produtos, clientes, fornecedores e documentos fiscais, sendo determinantes para o cálculo correto dos impostos e geração das obrigações acessórias.
A seguir, explicamos cada um deles, com exemplos práticos.
1. CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações)
O que é: Código numérico que identifica a natureza da operação (compra, venda, transferência, devolução, etc.).
Exemplo: Venda dentro do estado: 5.102 (venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros).
Impacto: Define o tratamento tributário da operação, quais impostos serão calculados e como a nota fiscal será registrada nos livros fiscais.
2. CST (Código de Situação Tributária)
O que é: Código que identifica a tributação do ICMS para empresas do Lucro Real ou Lucro Presumido.
Exemplo: CST 00 – Tributada integralmente.
Impacto: Determina a forma de cálculo do ICMS e influencia diretamente na apuração do imposto devido e no aproveitamento de créditos.
3. CSOSN (Código de Situação da Operação no Simples Nacional)
O que é: Similar ao CST, mas exclusivo para empresas do Simples Nacional.
Exemplo: CSOSN 102 – Tributada pelo Simples Nacional sem permissão de crédito.
Impacto: Determina como o ICMS será tratado dentro do regime simplificado, evitando cálculo indevido de tributos.
4. ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)
O que é: Imposto estadual que incide sobre vendas e movimentações de mercadorias e alguns serviços de transporte e comunicação.
Exemplo: Venda com alíquota de 18% dentro do estado.
Impacto: Um dos principais tributos estaduais; interfere no preço de venda e no custo de compra. Sua apuração correta evita autuações fiscais.
5. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
O que é: Imposto federal aplicado a produtos industrializados, nacionais ou importados.
Exemplo: Fábrica vende produto com alíquota de 5% de IPI.
Impacto: Incide na saída de produtos de indústrias ou equiparadas. Pode gerar crédito de IPI para empresas contribuintes.
6. PIS (Programa de Integração Social)
O que é: Contribuição federal calculada sobre o faturamento.
Exemplo: Alíquota de 0,65% (regime cumulativo) ou 1,65% (regime não cumulativo).
Impacto: Integra o custo fiscal da empresa e sua apuração está ligada ao regime tributário adotado.
7. COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social)
O que é: Contribuição federal sobre o faturamento, com base e cálculo semelhantes ao PIS.
Exemplo: Alíquota de 3% (cumulativo) ou 7,6% (não cumulativo).
Impacto: Junto com o PIS, representa parte significativa da carga tributária federal.
8. ISS (Imposto Sobre Serviços)
O que é: Imposto municipal que incide sobre a prestação de serviços.
Exemplo: Empresa de manutenção industrial cobra ISS de 5% sobre o serviço prestado.
Impacto: Afeta diretamente empresas prestadoras de serviço, variando conforme a legislação municipal.
9. IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte)
O que é: Retenção antecipada de imposto de renda sobre pagamentos específicos (serviços, aluguel, salários).
Exemplo: Retenção de 1,5% sobre serviços prestados por pessoa jurídica.
Impacto: Reduz o valor líquido pago ao prestador e precisa ser informado na apuração do IRPJ.
10. INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)
O que é: Contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento e, em alguns casos, sobre serviços tomados.
Exemplo: Retenção de 11% de INSS sobre serviço de empreitada de construção civil.
Impacto: Garante arrecadação para a previdência e é uma das maiores despesas trabalhistas.
11. CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido)
O que é: Tributo federal calculado sobre o lucro líquido ajustado.
Exemplo: Alíquota de 9% para empresas em geral.
Impacto: Incide sobre o lucro, impactando diretamente o resultado financeiro líquido da empresa.
Regime Cumulativo x Regime Não Cumulativo
O PIS e a COFINS podem ser apurados de duas formas distintas no Brasil: regime cumulativo ou regime não cumulativo. A forma de cálculo está diretamente ligada ao regime tributário da empresa.
1. Regime Cumulativo
O que é:
O imposto é calculado diretamente sobre o faturamento bruto, sem possibilidade de abatimento de créditos de tributos pagos na compra de mercadorias ou insumos.Alíquotas mais comuns:
PIS: 0,65%
COFINS: 3%
Quem utiliza:
Empresas do Lucro Presumido e algumas situações específicas previstas em lei.Exemplo:
Uma empresa fatura R$ 100.000 no mês:PIS = 0,65% → R$ 650
COFINS = 3% → R$ 3.000
Total: R$ 3.650 de tributos.
2. Regime Não Cumulativo
O que é:
Permite descontar créditos de PIS e COFINS pagos nas compras de mercadorias, serviços e insumos usados na produção ou revenda. Assim, o imposto incide sobre o valor agregado.Alíquotas mais comuns:
PIS: 1,65%
COFINS: 7,6%
Quem utiliza:
Empresas do Lucro Real.Exemplo:
Faturamento do mês: R$ 100.000
Compras e insumos com direito a crédito: R$ 40.000
PIS: (R$ 100.000 × 1,65%) – (R$ 40.000 × 1,65%) = R$ 990
COFINS: (R$ 100.000 × 7,6%) – (R$ 40.000 × 7,6%) = R$ 4.560
Total: R$ 5.550 de tributos.
Resumo prático

Em termos de gestão fiscal, conhecer o regime aplicável evita erros no cálculo, garante que os créditos sejam devidamente aproveitados (quando permitidos) e assegura conformidade na apuração.
NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul)
O NCM é um código de 8 dígitos utilizado para classificar mercadorias em operações de comércio, tanto interno quanto internacional, dentro dos países que fazem parte do Mercosul.
Ele é fundamental para determinar tributos, regras fiscais, tratamentos aduaneiros e exigências acessórias relacionadas ao produto. Cada código corresponde a uma descrição específica da mercadoria.
Estrutura do NCM
O NCM segue a seguinte lógica:
Primeiros 6 dígitos → Código baseado no Sistema Harmonizado (SH), utilizado internacionalmente.
Últimos 2 dígitos → Especificação adicional definida pelo Mercosul.
Exemplo:
8703.22.10
87 → Veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres
03 → Automóveis de passageiros
22 → Com motor de cilindrada superior a 1.000 cm³, mas não superior a 1.500 cm³
10 → Especificação final (no caso, automóveis novos)
Por que o NCM é importante
Determinação de impostos → O NCM define as alíquotas de ICMS, IPI, PIS, COFINS e até impostos de importação.
Acesso a benefícios fiscais → Isenções ou reduções de alíquotas em determinados produtos dependem do código correto.
Controle e fiscalização → Órgãos como Receita Federal e Secretarias da Fazenda utilizam o NCM para identificar a natureza da mercadoria e aplicar regras de tributação.
Exemplo prático
Imagine que uma empresa venda camisetas 100% algodão:
NCM: 6109.10.00
61 → Vestuário e acessórios de malha
09 → Camisetas, regatas e similares
10 → De algodão
00 → Sem especificação adicional
Se o NCM for informado incorretamente na nota fiscal, a empresa pode:
Recolher tributos a mais (perdendo competitividade)
Pagar tributos a menos (correndo risco de autuação e multa)
Perder benefícios fiscais aplicáveis ao produto
Dica de gestão: O cadastro de produtos no sistema deve sempre incluir o NCM correto, validado com base na tabela oficial atualizada pela Receita Federal. Isso garante conformidade fiscal e evita problemas em auditorias.
Impacto Conjunto na Apuração Fiscal
Esses códigos e tributos, quando configurados corretamente no sistema, garantem:
Apuração precisa dos impostos.
Emissão de notas fiscais em conformidade.
Geração correta dos arquivos do SPED Fiscal e SPED Contribuições.
Redução de riscos fiscais e autuações.
Conclusão:
